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29 de set de 2014

RESENHA: Nymphomaniac Vol. 1 e 2

Ninfomaníaca causou alvoroço logo que foi anunciado, primeiro por ser do polêmico diretor Lars von Trier e segundo porque era prometido cenas reais de nudez e sexo entre as estrelas. Bom, o que se esperar de um filme que se chama "Ninfomaníaca" senão muito sexo? A própria divulgação do filme vendeu essa ideia, colocando os atores nos posters fazendo caras e bocas em orgasmos, poses de duplo sentido. A imprensa também reforçou essa visão de que o filme seria uma espécie de pornô cult.

Mea vulva. Mea maxima vulva.

Mas o fato é que Nymphomaniac é o final da "trilogia da depressão" começada em Antichrist (2009) e seguido por Melancholia (2011), e como tal ele é muito "pesado" no sentido de mostrar o lado mais obscuro do ser humano. Apesar de conter nudez e cenas de sexo, o filme é menos pornográfico do que eu esperava. Sim, o sexo está lá (mas com próteses de borracha ou com dublês de corpo), existe muita safadeza sim, só que tudo isso é justificado com uma história mais profunda que faz esse primeiro plano ficar bem mais suave - ou então mais compreensivo da parte do espectador. O sexo não é usado como algo pornográfico, mas como uma coisa natural do ser humano.

A história começa quando Seligman (Stellan Skarsgård) encontra Joe (Charlotte Gainsbourg) desacordada em um beco, toda surrada. Ele a leva pra casa para cuidar dos ferimentos e então a moça decide contar-lhe sua história. Seligmané um homem muito culto, sem religião e sem muito interesse no sexo e acaba sendo um ouvinte imparcial da história de Joe, julgando as ações da mulher sem preconceitos ou hipocrisias. 

Ninfomaníaca me pareceu o filme mais leve da trilogia da depressão. Ele é uma crítica social muito mais forte que os filmes anteriores e menos introspectivo e o ponto alto dele é abordar abertamente a sexualidade feminina, um tabu para a sociedade machista em que vivemos. Joe é uma ninfomaníaca autodiagnosticada e assumida e briga pelo direito de ser assim, enquanto a sociedade aponta dedos pra ela em julgamento.

É interessante as reflexões que a história nos leva a fazer. Em determinado ponto Joe dá um discurso sobre pedofilia que me fez repensar muita coisa. De todos os pedófilos, apenas 5% chega, de fato, a molestar uma criança. Os outros 95% passam uma vida inteira com o sentimento de culpa imposto pela sociedade por terem um desejo por algo "errado" e que eles não conseguem ter controle sobre.

Na história de primeiro plano ainda temos os dramas da vida de Joe: problemas de família, de relacionamento, maternidade, trabalhos problemáticos. Ou seja: coisas da vida de uma pessoa comum. 

O longa no começo parecia que seria  extremamente parado e arrastado e que seria agonizante aguentar as 4 horas de duração (dividido em dois filmes), mas assim que Joe começa a contar sua história por capítulos o filme ganha um ritmo bom e nem percebi o tempo passando (mas é claro que isso depende de quem está assistindo, acredito que outras pessoas devem ter achado um tédio interminável). A trilha sonora chama a atenção e vária em movimentos da música clássica, e alguns rocks mais pesados. Não tenho muito o que dizer sobre as atuações, exceto que são ótimas, com destaque para as estreantes Stacy Martin (que interpreta a Joe nova) e Mia Goth (que interpreta a P). Uma Thurman faz uma participação pequena, mas marca presença e é responsável por um dos pontos altos do filme.



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