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24 de set de 2014

CRÍTICA: Mitternacht - The Dark Night of the Soul

Começou o outono no hemisfério norte, e com ele veio o novo álbum do Sopor Aeternus and the Ensemble of Shadows, Mitternacht - The Dark Night of the Soul. O novo álbum  sucede Poetica: All Beaty Sleeps, de 2013, que conta com regravações de canções de álbuns anteriores, todas músicalizações de poemas de Edgar Allan Poe.


 Anna Varney Cantodea disse que Mitternacht é uma continuação de Poetica. Sonoramente, os dois álbuns possuem semelhanças e mantém a sonoridade que a banda sempre teve: abusa dos sinos, uma percussão étnica, mbira, instrumentos de corda (em especial o cello), trompetes e  e algo que creio ser um theremin.

O que deixa Mitternacht singular é sua mixagem. Varney disse que o processo de criação deste álbum foi diferente dos demais onde os álbuns foram feitos todos de uma só vez com a composição, gravação e mixagem sendo feitas tudo de uma vez, em uma espécie de ritual catártico. Para Mitternacht, após a composição, houve problemas no estúdio causando o adiamento da gravação e mixagem do álbum. Esse hiato causou um maior amadurecimento das canções e isso é notado principalmente na mixagem, os instrumentos estão interagindo de forma mais harmoniosa, mais orgânicos. É um detalhe sutil, mas que faz a diferença.

Em Poetica havia músicas com até 14 minutos, longos momentos instrumentais. Um álbum bem lento e longo. A propósito, Sopor sempre foi assim, fugindo um pouco desse esquema ali em La Chambre d'Echo, de 2003, até o EP A Triptychon of Ghosts (Part One) - A Strange Thing to Say, de 2010. Em A Triptychon of Ghosts (Part Two) - Have You Seen This Ghost?, de 2011, ainda havia algumas canções mais "nervosas", mas já caia novamente numa melancolia lenta e arrastada que permaneceu nos álbuns seguintes (A Triptychon of Ghosts (Part Three) - Children of the Corn, de 2011, Poetica - All Beauty Sleeps, de 2013, e agora em Mitternacht). Acabei sentindo falta de uma canção mais energética em Mitternacht, especialmente depois de um álbum tão parado como foi o anterior.

No quesito letras não houve nenhuma novidade, Anna Varney-Cantodea continuou falando nos temas de voyerismo, amor não correspondido e frustração com o próprio corpo. Em Beautiful, ela fala sobre uma contemplação velada de um corpo masculino ao estilo de In der Palastra, em que ela observa escondida um homem tomando banho. Em You Cannot Make Him Love You, ela volta a se martirizar por um amor platônico que não se realizará devido a sua anatomia, a letra contém versos como "você não pode fazê-lo te amar, mesmo se você tentar. O motivo do seu fracasso está bem entre suas pernas". Pra quem não sabe, a Anna Varney-Cantodea é, na verdade, um homem. Em uma das poucas entrevistas que ela já concedeu, quando questionada porque não faz a cirurgia de mudança de sexo, ela respondeu que não poderia por motivos espirituais. Neste quesito de letras, o Sopor Aeternus também está se tornando repetitivo, sinto falta daquele humor que a Anna apresenta de vez em quando e nos presenteia com músicas falando sobre suas hemorroidas ou sua comilança quando está entediada.

De acordo com a Anna, Mitternacht possui um "final aberto", talvez indicando que o próximo álbum será uma continuação (talvez fechando uma nova trilogia iniciada com Poetica?). No geral, Mitternach é um álbum bom, bem ao estilo do Sopor Aeternus. Mas que faltou uma canção mais agitada, faltou.

Um comentário:

  1. Não senti tanta falta de uma canção agitada, na verdade gostei muito do ritmo que o álbum tomou. Até posso concordar com a falta de humor que acompanhava os álbuns que o precedia. Mas eu sempre gostei das letras da Anna, a questão é que ela vive com um doublethink e eu não sei se algum dia ela vai conseguir optar pelo que a faria mais feliz. Parece que ela lida com essa luta interna há muito tempo, e por mais que os temas das músicas soem repetitivos, eu gosto como ela consegue explorar essa fraqueza dela.

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